Como fazer para acontecerem coisas boa
Marian Rojas Estapé
"Sabia que as suas emoções e pensamentos têm um impacte directo no seu organismo,
na sua percepção da realidade e até nos seus genes?"
⭐ COMO FAZER PARA ACONTECEREM COISAS BOAS — Reflexão
Este é um daqueles livros que nos abre a porta para um território que sempre sentimos, mas raramente compreendemos: o impacto real das nossas hormonas, emoções e pensamentos no corpo, nas relações e na forma como interpretamos o mundo.
Tenho uma paixão assumida por este tema, talvez porque sinto que tudo isto se cruza com o meu trabalho com a luz. Vejo nela mais do que um elemento técnico: vejo um estímulo que nos transforma biologicamente. A luz artificial, em particular, molda o nosso humor, o nosso ritmo, o nosso foco, e muitas vezes nem nos damos conta.
A Marian Rojas Estapé tem este talento raro de explicar neurociência de forma simples, humana e acessível. Conheci o seu trabalho por acaso, talvez através do podcast no Spotify, e lembro-me de ter ouvido cada episódio como quem finalmente encaixa peças soltas da própria vida. Depois disso comprei os livros todos, comecei a segui-la e fiquei rendida ao impacto positivo que ela tem na saúde mental de tanta gente.
Há algo muito bonito no que ela faz: traz rigor científico sem perder a empatia. Fala de emoções com a mesma clareza com que fala de cortisol, dopamina ou serotonina. E, acima de tudo, lembra-nos que grande parte do que sentimos tem explicação, contexto e caminho de melhoria.
Este livro ajudou-me a olhar para mim com mais consciência. A perceber o que em mim é química, o que é hábito, o que é trauma e o que é apenas falta de descanso. E, sobretudo, aquilo que posso fazer no dia a dia: escolhas simples, como rodear-me de pessoas que me elevam, ser também alguém que eleva os que me rodeiam, e estar atenta aos meus próprios pensamentos e necessidades.
📌 Passagens que me marcaram
Página 57
"A amabilidade gera endorfinas que, por sua vez, reduzem os níveis de cortisol - hormona do stress e da ansiedade - e aumenta a oxitocina - hormona do amor e da confiança. Por conseguinte, atrvés dela, melhoram a hipertensão e os problemas cardiovasculares e diminui a sensação de dor. Todos estes efeitos conduzem-nos a uma sensação de equilíbrio e bem-estar interior. Observar pessoas amáveis (mesmo em filmes) melhora o nosso ânimo e tem efeitos importantes a nível fisiológico."
Página 71
“As preocupações ou a sensação de perigo prolongada - real ou imaginária - podem aumentar os níveis de cortisol até cinquenta por cento acima do recomendável. Este é um dado fundamental para entender o stress: o corpo não desperta apenas face a um perigo real ou ameaça, também se activa (do mesmo modo) perante a inquietação de perder o trabalho ou os bens ou ante a possibilidade de perder o prestígio ou uma amizade ou posição na sociedade ou num grupo específico.
O cortisol é uma hormona cíclica. Durante a noite o nível é baixo, ascende até ao máximo às oito da manhã e começa a descer de maneira progressiva. A libertação do cortisol possui um padrão que, de um modo geral, segue o ritmo da luz: liberta-se mais ao amanhecer, o que se torna benéfico para termos energia pela manhã, decresce ao longo do dia e aumenta ligeiramente ao anoitecer.”
Páginas 171, 172 e 173
“Convém lembrar que a única espécie que chora por motivos emocionais é o ser humano. Quando alguém vê outra pessoa chorar, é frequente que, no interior do observador, se activem emoções ou condutas pró-sociais que o levam a empatizar com a outra pessoa. Por conseguinte, é legítimo pensar que em algum momento da história, na evolução do Homo sapiens, as lágrimas se transformaram numa forma de expressão do estado emocional da mente.
O corpo produz, em média, mais de cem litros de lágrimas por ano. Se pensarmos em todas as pessoas que não se lembram da última vez que choraram, existem, em compensação, outros que vertem litros e litros de lágrimas.
Existem três tipos de lágrimas: as basais, que servem para manter a hidratação dos olhos, as reflexivas, que brotam face a agressões físicas, nuvens de poeira, gases, e as emocionais.
O choro do tipo emocional activa-se quando o organismo recebe um alerta (tristeza, angústia, perigo) e envia lágrimas aos olhos, como reacção a esse estímulo. Da mesma forma, produz-se um aumento do ritmo cardíaco e um rubor nas faces.
O investigador William Frey estudou, há alguns anos, o componente bioquímico da lágrima, depois de um choro intenso motivado por angústia ou tristeza excessiva. Encontrou níveis elevados de cortisol. Esta é a razão pela qual, depois de um exercício de choro, a pessoa se sente livre. Descarrega tensões e inquietudes ao desfazer-se de grandes quantidades de cortisol.”
Página 221
“Um coração ressentido não pode ser feliz e, muitas vezes, o perdão é o melhor bálsamo que existe. Se um veículo faz uma manobra perigosa ou apenas mal-intencionada, podemos pensar que o condutor é um energúmeno, insultá-lo e ofendê-lo, o que não nos proporciona paz, mas fará subir o nível de cortisol, ou podemos ver essa pessoa como alguém ansioso ou infeliz ou compadecer-nos dela e perdoar-lhe”
⭐ O que este livro significa para mim
Este livro deu-me sobretudo compreensão. Trouxe clareza sobre a forma como o ser humano pensa, reage e age quase sempre de maneira automática, sem perceber os mecanismos internos que o conduzem. Ao ler, senti que estava a observar o comportamento humano com outra luz, percebendo as razões por trás de muitas atitudes que antes interpretava apenas pela superfície.
O mais valioso foi esta sensação de consciência: a capacidade de reconhecer o que é instinto, o que é padrão aprendido, o que é química, e o que é apenas o nosso cérebro a tentar proteger-nos. A Marian explica isto de forma tão simples e sólida que se torna impossível não levar essa perceção para o quotidiano.
Este livro ensinou-me a olhar para cada momento com mais atenção, a entender melhor as pessoas e a mim mesma, a interpretar reações, gestos e impulsos com outra profundidade. É como se a vida ganhasse um segundo nível de leitura — mais lúcido, mais informado, mais consciente.
No final, o que ficou foi isto:
uma compreensão maior da mente humana e uma sensação de que, quando entendemos os mecanismos, conseguimos viver com mais intenção e menos automatismo.
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©CatarinaMontenegro, 2026